Hoje tudo amanheceu cinzento e portanto para contrariar...


...quero uma coisa destas.

Tenho os seguintes livros a ocupar a minha mesa de cabeceira para noites mais lentas:

  • O pranto de Lúcifer - Rosa Lobato Faria
  • O Delfim - José Cardoso Pires
  • Leite derramado - Chico Buarque
  • Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll (sei que não é para a minha idade mas que hei-de fazer?)
Leaf*


Hoje tudo amanheceu cinzento e portanto para contrariar...


...aqui fica esta fotografia.

Sei que sou muito feliz e que tenho as melhores Pessoas comigo, quando recebo este ramo, com a menção de Parabéns mas não faço anos...não falta muito, mas falta!

leaf*

Nostalgias

Este ano não vamos ao Optimus Alive, não por razões financeiras mas pelo cartaz. Estou com uma certa nostalgia porque já faz parte de uma rotina; já há dois anos consecutivos que íamos ao Parque Marítimo de Algés, que ficávamos hospedados na mesma casa, que compartilhávamos 4 dias intensos e, em certa parte, loucos. 
No primeiro ano, assistimos, provavelmente, ao conjunto de melhores concertos possíveis, bandas que nunca pensei em ver ao vivo, como Alice in Chains (vénia), Faith no More (vénia), Deftones (vénia), Pearl Jam (grande vénia), ou bandas que nunca pensei em gostar, como Skunk Anansie. Nesse mesmo ano conhecemos familiares que só ouvira de nome que me fascinaram na primeira instância, e que nos acolheram com o maior dos carinhos e diversões tanto nas suas casas como nos seus corações.
No ano passado, fomos apenas um dia, mas o que passei naquele recinto é indescritível, tanto pelas recordações positivas como negativas. É inexplicável o sentimento de ver entrar no palco os Foo Fighters e, consequentemente, o artista que mais admiramos, sentir que aquele momento é tão real que quase parece irreal. Aquele momento em que ia chorando de emoção, de felicidade, de êxtase. Esse mesmo momento também em que levei um olhar mortífero do jovem V. e tive de me recompor. Contudo não consigo deixar de expressão muita insatisfação ao pensar na dor de barriga que me deu em pleno concerto, e no facto de a minha vontade ser que o concerto acabasse o mais rápido para poder ir para casa.
Este ano não há Alive, não por nós, mas pelas bandas confirmadas. Tudo já fazia parte de uma rotina, o ir para Lisboa de carro, o instalados naquela casa, aquelas comidas tão deliciosas, o espírito alaranjado do Alive, tudo. Para o ano espero mesmo lá voltar, mas enquanto isso, lá terei de o substituir pelo Marés Vivas!

Tretas

Do lado esquerdo da minha estimada dentadura, tenho um dente com sensibilidade, que se queixa quando em contacto com algo mais frio. Do lado direito, tenho um dento do siso a querer ver a luz do dia, mais a gengiva inflamada de baixo e de cima.
Escovar os dentes é uma missão engraçada. Comer uma laranja é um sacrifício. Deixar a língua parada e não mexer lá no sítio, é outro. Estou bem arranjada, estou!

(para não falar na possibilidade de o ter de arrancar, que isso sim, seria o maior drama da minha vida!!)

Waitin' On A Sunny Day


Aceito bilhetes para este dia!

Descaradamente Infiéis


Existem coisas que não consigo compreender. Não consegui olhar para o filme com distanciamento suficiente para rir de toda a 'parvoice'.


leaf*

Domingo de Sol.


Dias bons são dias de sol. São dias em que se veste a roupa mais colorida e se vai passar o dia no meio do mato, para um churrasco com gente boa. Ou melhor, com gente boa, excepto uma pessoa. Mas pronto é tão sem sal que quase não dei pela presença.

Dias bons são dias de sol.

Este domingo foi um dia bom. Acordei, vesti roupa confortavel e colorida e, rumamos em grupo para um local desconhecido. Um local mesmo desconhecido no meio do mato. Apenas um elemento conhecia o caminho, mas obviamente que se enganou duas vezes antes de darmos com o sitio. Chegados ao local, começamos a organizar as coisas e claro que quem tinha tudo organizado se esqueceu do pão. Um churrasco sem pão é muito melhor...ou seja íamos comer carne com carne. Mas decidimos ir à padaria. Compramos pão e quando lá chegamos já se conversava enquanto se assavam as fêveras. Entre conversa e mais conversa o almoço passou e pouco depois decidimos caminhar até à beira mar...era só percorrer três dunas e lá estava o mar...uma imensidão de areia deserta só para nós. Fomos brincar feitos crianças com uma bola. Quando fiquei muito cansada caminhamos até à toalha, enquanto alguns foram ao primeiro mergulho da temporada.

Regressamos aos poucos. Em grupos mais pequenos.

Jogamos cartas. Baloiçamos nas redes. Conversamos. Rimos. Fomos mordidos por melgas esfomeadas. Arrumamos as coisas. Limpamos o local.
Voltámos. Nós a pé. A maioria de carro. Dois de tractor. Quando chegamos ao local de encontro reparamos que o carro que partiu primeiro ainda não tinha aparecido. Ou seja enganou-se no caminho e estava 'enterrado'. No local não havia rede, não dava para telefonar. Tiveram que os procurar e salvar.

À parte de uns quantos riscos num dos carro foi um domingo muito bem passado.

leaf*


Word as Image

Foi das coisas mais criativas que vi nos últimos tempos. A criatividade é mais simples daquilo que pensamos e está tão ao nosso alcance!


Noite de Fados


Ontem foi assim.
Foi Fado.
Na voz da Carminho, que na minha opinião, não tem presença suficiente para o Fado.
Mas se eu fechasse os olhos e apenas ouvisse seria perfeito.

Leaf*

"O Homem Lento"



Finalmente acabei de ler "O Homem Lento". Este livro ocupava os meus momentos de leitura faz algum tempo.

Fazer as coisas no repente, sem pensar pode conduzir-nos a caminhos que não queríamos percorrer. Mas, pensar demasiado pode não conduzir a lado nenhum. Qual das duas formas é a correcta?
Qual das formas de caminhar é a correcta? O que é que nos leva onde queremos? O passo lento ou a corrida veloz?
Não sei.

leaf*

Owl II

38 anos depois


25 de Abril, sempre!

:)

Apresento a nova aquisição cá de casa:


Os Donos de Portugal

RTP mostra a teia política e económica d'Os Donos de Portugal

"O documentário Os Donos de Portugal, que será emitido pela RTP2 esta madrugada, começa com um pedido ao espectador. E com uma inquietação que o atravessa e nos obriga a chegar ao fim. Imagine que um leitor de crónicas de negócios do século XIX regressa a Lisboa e retoma as suas leituras: "Que espanto sentiria ele ao encontrar os mesmos nomes daquelas grandes famílias que povoavam a Baixa e a Lapa? Será que ainda vão lá estar em 2150?""

"Ao PÚBLICO, o realizador e dirigente do BE Jorge Costa defende que "é o Estado que faz a burguesia em Portugal", quer no Estado Novo quer na democracia. Primeiro, o documentário aponta uma elite económica que se afirma a partir de "uma relação de grande promiscuidade com o poder do Estado e sempre sob sua protecção, uma característica que atravessa os vários regimes". Depois, assinala "como a elite económica se constitui ao longo de um século como uma grande família". Por último, desmonta uma forma concreta de promiscuidade entre o poder político e económico, ao expor o "tráfego entre cargos políticos e lugares de topo nos grandes grupos económicos", sobretudo em ministérios estratégicos: Economia, Emprego e Obras Públicas.

O filme começa em finais do século XIX, revela uma burguesia que tem no Estado o seu mercado privilegiado e que sobrevive de relações estreitas com os universos da política e dos negócios, numa lógica de permanente favorecimento. Exibe-se o fracasso de uma burguesia incapaz de modernizar o país, absolutamente centrada no enriquecimento e na autopromoção social. Uma rede que é abalada com o 25 de Abril, mas que o Estado, através do processo de privatizações, coloca novamente no centro do poder económico e financeiro.

"No centro desse centro esteve sempre a família Mello", que há-de unir-se às famílias Champalimaud e Espírito Santo. A árvore genealógica da burguesia portuguesa mostra como o casamento é passaporte para assegurar a continuidade da direcção dos negócios e como o país económico é refém de "uma grande família", afirmam. Já no Estado Novo, o documentário revela "uma amizade única" entre Salazar e Ricardo Espírito Santo, que se "reúnem ao domingo" e se "correspondem regularmente". As famílias Champalimaud e Mello são à época, por exemplo, protegidas por regras alfandegárias que garantem mercados exclusivos.

Atravessa toda a película a ideia de que as grandes fortunas foram construídas sempre de mão dada com o Estado, com recurso a medidas de protecção concreta ou através de indemnizações ou empréstimos. Fernando Rosas, historiador e dirigente do BE, defende no decorrer d'Os Donos de Portugal que "a cultura da burguesia industrial portuguesa é uma cultura de chapéu na mão em relação ao Estado". Rosas explica ainda que "a elite política do país era muito pequena", o que fez com que a circulação entre os negócios e a política fosse mais intensa. "O Estado foi o construtor da burguesia, até que um dia, como no célebre conto do aprendiz do feiticeiro, o aprendiz tomou conta do feiticeiro", defende.

Sectores de "acumulação mais rápida" emergem no século XX a par dos impérios familiares. Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Jerónimo Martins passam a fazer parte desse núcleo duro, segundo o relato. Mas também a "elite angolana" é apontada como uma dona de Portugal. Pelo menos da banca. "Mais de 10% do BPI e do BCP, 25% do BPN" e empresas com Mota-Engil, PT, Zon, grupo Espírito Santo e Unicer.

Analisados 115 currículos de governantes do último século, o documentário conclui, com especial relevância para o PSD, que "entre política e negócios o trânsito é permanente e muito intenso". E que "esta promiscuidade cria um sistema de enriquecimento rápido e uma ascensão social vertiginosamente rápida", nas palavras de Jorge Costa.

Duas afirmações no documentário explicam quase tudo. A primeira é que "o lugar num ministério é hoje trampolim para uma vertiginosa ascensão social através de remunerações com que muitos quadros partidários nunca sonharam, nem no partido nem nas suas profissões". E a segunda vai ao âmago da corrupção: "Quem dirigiu a privatização passa a dirigir o que privatizou, quem adjudicou a obra pública passa a liderar a construtora escolhida, quem negociou pelo Estado a parceria público-privada passa a gerir a renda que antes atribuiu ou vice-versa."



"O filme acaba por procurar contribuir para a discussão da natureza da crise actual. É um filme que discute quem é que viveu afinal acima das nossas possibilidades", afirma Jorge Costa. O documentário termina com uma reflexão: "Sob o regime da dívida, a própria democracia política é ameaçada." No final, sobressai o retrato de um Portugal cada vez mais dependente das importações, refém do desemprego e da crise financeira internacional, que abandonou o Estado social e aumentou os impostos sobre o consumo. Numa última imagem, o que resta é um país que agoniza. Um país deprimido e, sempre, um país deprimente no círculo fechado dos negócios e da política.Veja aqui a infografia sobre as ligações dos donos de Portugal

 retirado do jornal Público

Nirvana

Nirvana foi a primeira banda de que gostei e ainda hoje é a banda. Sim, Nirvana. Lembro do meu irmão estar sempre a ouvir qualquer coisa, até que um dia me aproximei dele, escutei uns segundos e disse "fogo, isto é mesmo o teu estilo, o gajo não sabe cantar." "Não sabe cantar?! Isto é Nirvana!" Pois, ele teve razão na resposta.
Sei que nos tempos seguintes apenas ouvia o Nirvana de 2002, e nesse álbum se calhar encontra-se a razão da minha veneração pela banda. Essa música, apenas tocada no Unplugged, Kurt canta-a por completo de olhos fechados e cabeça baixa, excepto por um segundo. Nesse segundo, quase no fim, ele levanta a cabeça, abre os seus olhos azuis, suspira e só depois volta à sua posição para acabar a frase. Esse é o momento em que ele desiste da própria luta, em que dá resposta à sua pergunta e se resigna, suspirando.
É, de certo, aquele segundo que me arrepia sempre e é também aquele que diz tudo sobre a banda.